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Civilização asteca

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Conheça a História do grande Império que governou o coração do México por mais de 200 anos até a chegada dos espanhóis na América

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Acredito que o texto é da Rosane Volpatto. DEUSA DAS ÁGUAS Deusa asteca da água, é conhecida como a "A saia de Jade" e deusa da fertilidade e da agricultura. Conhecida também com o nome de Apozonalotl, manifesta-se nas ondulações das águas. Chalchiutlicue era companheira de Tlaloc e seu filho era o deus do vento, Quetzalcoath. Foi responsável pela inundação que destruiu o Quarto Mundo (vivemos no Quinto Mundo). de acordo com os astecas. Esta deusa é a própria incorporação da beleza e devoção juvenil. É também a Deusa Mãe da Serpente. Esta é uma deusa de múltiplas facetas, pode acabar com as inundações e tormentas, assim como é encarregada de limpar. purificar e propiciar o crescimento das plantas. Algumas vezes se apresenta com vestes magníficas, confeccionadas com pele de serpente e adornos de penas brancas. Sua festa era celebrada no mês "Atlacahualo", que quer dizer "carência de água", onde se faziam sacrifícios humanos para se alcançar os benefícios desta deusa. Sua devoção maior era sentida entre os pescadores, que navegavam em suas canoas por canais, rios e lagos. Cabe-nos acrescentar, que para os astecas o sacrifício tinha uma conotação totalmente diferente da nossa. Lembremo-nos que aquilo que entendemos por crueldade á algo historicamente determinado. Os europeus à época de suas conquistas massacraram, mutilaram e torturaram com a consciência tranquila em nome da divindade cristã. O sacrifício asteca, à nível de mentalidades, não circunscrevia nem como crueldade, nem como ódio e sim como resposta à instabilidade de um mundo constantemente ameaçado de destruição. Num universo frágil, instável e à mercê de catástrofes, a confiança no futuro era algo fora de propósito. A cada 52 anos, o calendário asteca anunciava um ano "ce-actl", um ano de possível fim dos tempos, do Quinto Sol (ou Quinto Mundo). Ao final deste ano, um terror coletivo tomava conta da população, receosa de o Sol não mais nascer. Tentemos imaginar o desespero coletivo de uma população que, contraditoriamente, acreditava ser o povo eleito para conquistar os quatro quadrantes, mas ficava, por sua vez, a mercê de um mundo instável e constantemente ameaçado. ARQUÉTIPO DA MÃE NUTRIDORA Chalchiuhtlicue, aparece quinze vezes no "Códice Borgia", estreitamente ligada à Mayahuel, enquanto analogias iconográficas que falam da fertilidade e dos conceitos que se referem à Grande Mãe Nutridora. Esta deusa, além de ser deusa das águas, é também a Senhora dos Mantimentos, que nutri o homem para que ele possa viver e reproduzir-se. Este é o aspecto mostrado na lâmina 17 (figura acima), onde vemos a deusa amamentando o homem. ARQUÉTIPO DA MÃE PROTETORA Na figura acima, a deusa aparece com belos adornos e suntuoso traje. Vislumbra-se sua saia "chalchihuiles" e as linhas onduladas, imitando o fluir das águas. Ressalta-se também seu "quechquemitl". "cueith"e o manto, trabalhados com mosaicos de conchas, pele de serpente e pequenas penas brancas. Sua coroa de serpente é representativa e muito elegante. O anel preso em seu nariz é de mosaico turquesa em forma serpente e os adornos das orelhas são feitos do mesmo material. A pintura facial consiste em duas listas longas e curtas no queixo e no corpo e são pintadas de amarelo. O enfeite do braço é um bracelete de turquesa com sinos dourados. Como já vimos nas outras deusas, seu caráter de mãe protetora é enfatizado ao mostrá-la sentada no "icpali" com assento de pele de jaguar. FONTE DA VIDA POR EXCELÊNCIA Esta deusa é conhecida por seus atributos fecundantes e germinativos, considerada fonte da vida por excelência. Mas é igualmente importante como fator de purificação. Em seus rituais era lavado o corpo com água corrente, para se obter a graça da pureza. As pessoas eram mergulhadas na água e ao submergirem se tornavam crianças sem pecado, com possibilidade de começar uma nova vida. Estes rituais de banhos sagrados eram habitualmente praticados por todas as grandes deusas da fertilidade e da agricultura. Também era tradição na cultura asteca, a invocação desta deusa, quando a parteira banhava pela primeira vez o recém nascido, dizendo as seguinte palavras: "- Chegai Nossa Mãe Chalchiuhtlicue e tomais como seu filho esta criança, para carregá-la em seus braços por este mundo". ORAÇÃO À CHALCHIUHTLICUE Senhora Chalchiuhtlicue de Merciful És bem-vinda neste mundo Lave-nos e nos purifique De toda e qualquer impureza, Livra-nos te todo o mal Fazendo que neste mundo Resida somente a paz e a sabedoria. Senhora dos começos Somos seus humildes servos Fazei com que a criança pura De nossa alma, se faça sempre presente.

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ADILCIO CADORIN* “Yo vengo a hablar de um hermoso lugar de que yo se que te vas a enamorar. Tiene bellas paisajes, grandes volcanes y gente de buenas tinajes y se tu quieres saber de donde me inspiro, de mi bela GUATEMALA, es de la que yo escribo” (autor desconhecido) Aficcionado pela história das civilizações antigas, sempre que escutava a palavra “maya”, ficava sugestionado por muitas lendas e enigmas que me haviam despertado com as informações dos quase cinco milênios de história desta raça. Provocado pela leitura das obras de Erick Von Danicken, na década de 1970, tive oportunidade de as ler de uma só assentada que, em resumo, sustentavam a tese de que os deuses dos ameríndios eram astronautas. Aguçada minha intrometida imaginação, passei a especular sobre a origem do homem no Continente Americano.Portanto, foi a mesma curiosidade que no ano passado motivou nossa viagem ao Peru para conhecer in loco a história da Civilização Inca, que nos fez empreender nova viagem à Guatemala, coração de extinta civilização mesoamericana, na esperança de que conhecendo suas ruínas, seus museus e a população remanescente, poderia serenar minha inquieta bisbilhotice sobre a história deste povo que gestou a maior e mais duradoura civilização das américas: os mayas. Chegando em Guatemala City Foto do autor Novamente desfrutando da agradável parceria de minha companheira Ivete e mais o casal Marilda Mendes e Jorge Laranjeira, embarcamos para a cidade de Guatemala, onde tivemos a oportunidade de conhecer museus e instituições que preservam o patrimônio material e imaterial desta Civilização. GUATEMALA A Guatemala, oficialmente denominada como República da Guatemala, é um país da América Central, limitado a oeste e a norte pelo México, a leste por Belize, pelo Golfo das Honduras e por Honduras, e a sul por El Salvador e pelo Oceano Pacífico. Sua capital é a cidade da Guatemala, que também é seu maior e mais populoso centro urbano. É o terceiro maior país da América Central. Assim como outros países centro-americanos, a Guatemala possui diversos lagos, cadeias de montanhas, que são prolongamento da Serra Madre Mexicana com grandes vulcões, pois alguns ainda estão ativos, como o Tajumulco, com 4.210 metros de altitude e o Tacaná, com 4.093 metros. Ao sul e a leste as altitudes são menores. O Vale Motagua, na planície de El Petén, é um dos principais campos de fósseis de dinossauros. É também a região mais fértil do país e onde se concentram as principais atividades econômicas, com destaque para o cultivo do milho e a banana. Na região próxima ao Pacífico, as plantações de cana-de-açúcar e café são as mais importantes. A temperatura é quente nas planícies e fria nas montanhas. No litoral do Pacífico, o clima é o tropical, e na costa caribenha os termômetros chegam a atingir 38 °C. Na floresta da planície de El Petén o clima é quente, e o grau de umidade varia de acordo com a época do ano. Seu nome é originário da língua quiche, que significa um “lugar de muitas árvores”, em virtude das densas e frondosas florestas que cobriam a quase totalidade de seus diferentes territórios. O quiche é uma das 23 línguas ainda faladas pela população em suas diversas regiões. Embora o espanhol seja a língua utilizada oficialmente, todas as outras 23 faladas em suas respectivas regiões também são consideradas oficiais, todas consideradas línguas mayas. O país tem uma área de 108.889 km² e a abundância de áreas biologicamente diversas, significativas e exclusivas da Guatemala contribui para a classificação do país como expoente da biodiversidade. Sua moeda oficial é o quetzal, cujo câmbio com o dólar, em janeiro deste ano, necessitava de 7,35 quetzales para comprar um dólar americano ou dois reais brasileiros. O nome desta moeda se originou do pássaro do mesmo nome, que os mayas também designavam como sendo uma "serpente de penas" em virtude do movimento de sua longa cauda ao voar, hoje em vias de extinção. Ao voar sua cauda serpenteia no ar. Foto Inguat Sua cauda possui cerca de 60 centímetros, enquanto seu corpo possui apenas 30 centímetros. É uma ave solitária, que se alimenta de frutos e insetos localizados nos troncos das árvores. Quetzal - Foto Inguat Habita as regiões mais altas de Guatemala e os mayas lhe prestavam culto, pois o consideravam como sendo uma ave sagrada. Após sua independência da Espanha em 1821, a Guatemala tornou-se parte da Estados Unidos da América Central, mas a dissolução desta Confederação jogou o País em uma grande instabilidade política, que também atingiu os demais países da Mesoamérica durante meados do Século XIX.Com 15,5 milhões de habitantes, a Guatemala é o país centro-americano mais populoso, e o segundo mais densamente povoado. A população é formada majoritariamente por indígenas e descendentes. Sob o solo da Guatemala existem placas tectônicas que possuem três falhas geológicas conhecidas como Jocotanm, Montagua e Polochic, o que ocasionalmente gera terremotos, provocando a inevitável erupção dos vulcões, alguns em atividade. Os mayas construíram suas cidades por todo o território do País, edificando-as num período compreendido de quase 5000 mil anos, desde 3000 a.C. até 1.600 d.C., desorganizando-se politicamente e administrativamente de forma gradual a partir dos anos 900 d.C., fato que facilitou em muito a conquista espanhola, pois em 1521 quando os conquistadores chegaram muitas cidades já eram ruínas e pouco remanesceu do potencial, esplendor e domínio que os mayas desfrutavam sobre a Península do Yucatã. Além da Guatemala, construíram cidades onde hoje está os territórios de Honduras, Belize, na parte sul do México e na parte oriental de El Salvador. Guatemala na Península Yucatan No que pese existirem outras teorias sobre como o povo que deu origem aos mayas veio a habitar nas américas, ainda não existem conclusões exatas, mas as evidencias demonstradas pelos mais críveis estudiosos, arqueólogos e antropólogos convergem para a teoria de que as populações iniciais das américas originaram-se dos asiáticos mongóis que, durante o Pleistoceno, em sucessivas correntes migratórias, cruzaram o Estreito de Bering no período compreendido entre 25.000 a 75.000 anos a.C., quando a última era glacial uniu com gelo a Ásia ao extremo norte da América do Norte. Ao longo destes milênios, tais correntes migratórias deram origem à todas as populações indígenas dos três continentes americanos. Estes migrantes vinham atrás de mamutes e de outros grandes animais, dos quais extraiam alimentos, usavam sua pele para cobrirem-se, e dos ossos fabricavam armas e ornamentos. Após atingirem a América do Norte, avançaram em direção ao sul em busca de terras menos frias e mais férteis em caças, e a medida que se aclimatavam e cresciam numericamente, foram assentando-se na costa do Pacífico, do Atlântico e na área central da América do Norte, atingindo a Florida. Como o crescimento dos grupos diminuía as fontes para sobreviverem, novas migrações eram ocasionadas, descendo para a América Central, onde contornando o Golfo do México, encontraram na Península do Yucatã, a “terra prometida”, que foi habitada há cerca de 40.000 anos a.C.. Ao longo de séculos, dali partiram outras correntes que vieram a povoar a América do Sul, mas os que permaneceram na PenínsuladoYucatã, deram origem ao povo quiche, ancestrais dos mayas. Dos ainda poucos conhecidos quiches, os mayas herdaram alguns conhecimentos, entre eles a escrita por símbolos, que sofreram alterações influenciadas por outras línguas que eram faladas por povos por eles conquistados e congregados ao longo dos milênios seguintes. Os mayas surgiram por volta de 3000 a.C., mas na época eram inexpressivos e sua história foi dividida pelos estudiosos em três períodos: -Pré-clássico - de 2500 a.C, até 300 d.C.; -Classico - de 300 d.C. até 900 d.C., seu período áureo; -Pós-clássico- de 900 d.C., quando iniciou seu declino, até 1697, quando foram completamente dominados e conquistados pelos espanhóis. Pedras com hieroglifos no Museo Nacional de Arqueologia y Antropologia. Foto Jorge Laranjeira Na capital guatelmateca passamos o primeiro dia visitando os diversos pavilhões e galerias do Museo Nacional de Arqueologia y Etnologia, onde nos municiamos com informações preliminares sobre a religiosidade, cultura, economia, arquitetura, organização social, estrutura política, costumes e o cotidiano dos mayas. Com estes conhecimentos e esclarecimentos, sentimo-nos preparados para as visitas que iríamos fazer nos dias seguintes aos sítios arqueológicos. Uma das diversas galerias do Museo Nacional de Arqueologia y Antropologia. Foto do Autor AGRICULTURA Este povo desenvolveu apurado sistema de produção agrícola, que se adequou às variações geográficas e climáticas de cada uma de suas ecléticas regiões e cidades. Marcavam seus ciclos agrícolas pela astronomia, religião e arquitetura, esta última através de monumentos de pedra que indicavam de forma perfeita o leste, por onde o Sol saía, assim como o oeste, por onde o Sol se punha, com o que lhes dava a conhecer os solstícios de verão e de inverno, ou seja, as datas corretas para semeaduras e colheitas. Guiados pelo mapas produzidos em 1978 com as imagens do satélite JPL/SAR da NASA, que indicavam a existência sob a densa floresta de longos e antigos canais, os estudiosos Luiz Luján e Patrick Culbert, da Universidade do Arizona, pesquisaram in loco uma área de cerca de 80 mil quilômetros quadrados entre a Guatemala e Belize, utilizando veículos em alguns trechos, cavalos, canoas e a pé. Cruzaram pântanos e matas densas. Segundo seus relatos, encontraram os vestígios e seguiram longos canais mayas, que possuíam cerca de tres metros de largura por cinquenta centímetros de profundidade e que foram utilizados para drenar a água de pântanos e irrigar áreas onde não havia. Nelas cultivam milho, batatas, algodão, fumo, feijão, cacau, sizal, aboboras, amaranto, diversos cerais, muitos tipos de frutas e variadas hortaliças, praticando uma agricultura extensiva e sedentária, já que após dois ou três anos de colheitas as terras esgotavam sua capacidade produtiva, obrigando-os abandona-las, buscando outras áreas. Levando em consideração que a população maya tenha atingido milhões de habitantes que necessitavam ser alimentados, este sistema agrícola intensivo e sedentário causou grande supressão da mata nativa em toda a região que dominavam, fato este que também teria causado mudanças climáticas, movimentos migratórios, abandono de cidades e construção de novas, fator que influenciou na decadência de sua organização social. Além de irrigações, os canais também serviram para o transporte de seus produtos agrícolas, que eram navegados por canoas de fundo chato. À esta civilização devemos a cultura do milho, da batata e do fumo, fato que é relatado em um de seus mais importantes códices, o Popol Vuh, uma espécie de bíblia dos mayas, que mais adiante será relatado. Este milenar documento registrou que a batata foi cultivada pela primeira vez na montanha que denominaram Huliznab, cuja tradução significa “lugar da primeira batata”. Segundo Antonio Aspiros (El Gran Reportasje de Los Mayas – Editorial Posada – Cidade do México – 1987), a primazia maya no cultivo destes três produtos agrícolas foram confirmados por evidências paleobotânicas, arqueológicas, etnológicas, citológicas, morfológicas e genéticas. Impressionou-nos a informação também contida no Popol Vhu, de que utilizavam o fumo medicinalmente. O tabaco, inevitavelmente cancerígeno em virtude da forma como é industrializado em nossos dias, era utilizado para curar alergias, cólicas, dores reumáticas, infecções pulmonares e cicatrizações, fato confirmado por diversos estudiosos. FILHOS DO MILHO Tamanho foi seu desenvolvimento agrícola que os povos adjacentes contemporâneos passaram a designar este povo como criadores do milho, que os primitivos e anteriores povos conheciam como “mays”. É que há milênios o milho tinha um aspecto bem diverso do que hoje conhecemos, sendo sua espiga bem menor. Foi após a fixação do grupo nômade que lhes deu origem, que ao longo de alguns séculos conseguiram aprimorar e desenvolver a cultura do mays, obtendo espigas maiores e diversos tipos com cores diferentes, passando o mesmo a ser essencial para sua sobrevivência. Por este motivo passaram a ser conhecidos como mayas, os que vieram do mays ou seja, os “homens do milho”. Milho como adorno - Pintura de autor desconhecido - Foto do autor Diversos tipos de milho. Pintura de artista desconhecido - Foto do autor Constatamos que se o milho ainda hoje é indispensável à mesa dos guatemaltecos, também é utilizado como adorno às indumentárias religiosas e festivas, além de fonte de inspiração para produções culturais, artesanato e artes plásticas, como as pinturas e decorações que vimos em diversos locais que percorremos. ESCRITA COM HIEROGLIFOS De todas as populações pré-colombianas que habitaram o grande continente americano, apenas os mayas criaram um rústico alfabeto e o desenvolveram ao longo dos séculos, com o qual foi possível elaborarem seus códices, espécies de livros desdobráveis em forma de sanfona, cujos textos estão redigidos utilizando oitocentos caracteres hieroglíficos, que inicialmente foram esculpidos em pedras dos templos e monumentos. Posteriormente, com o andar dos séculos, desenvolveram um tipo de papel produzido a partir da casca de algumas árvores, sobretudo algumas espécies de figueiras. Os mayas chamavam este papel de “huun”, que passaram a utilizar somente por volta de 400 d.C. (ASPIROS, Antônio - El Gran Reportaje de Los Mayas – Editorial Posada – Cidade do México – 1987). O conhecimento sobre o sistema de escrita maya continuou a existir no início do período colonial espanhol mas, como parte da uma campanha de erradicação de rituais que a Santa Inquisição considerava pagãos, em meados de 1500 o bispo espanhol Diego de Landa y Escandon, ordenou a recolha e a destruição de todas as obras escritas em línguas mayas. Um número apreciável de códices e literaturas milenares escritas pelos sacerdotes mayas foram destruídos, remanescendo apenas os que algumas autoridades e nobres espanhóis haviam remetido para a Europa antes da destruição ordenada pela Igreja Católica. Talvez o mais importantes dos códices seja o “Popol Vuh” que, muito embora seja ignorado o nome do autor, foi escrito na língua quiche. Logo após a chegada dos espanhóis, o padre espanhol dominicano Francisco Ximenes conquistou a simpatia e confiança dos mayas da cidade de Chichicastelnango, com quem apreendeu a língua e a escrita quiche, e lhe sendo permitido, em 1544 copiou o texto integral do Popol Vuh, que os mayas o consideram sagrado e que havia sido escrito em data bem anterior. O padre fez uma cópia no texto original e o traduziu em coluna paralela para o espanhol. Esta cópia manuscrita se encontra hoje na Biblioteca Newberry, de Chicago (RECINOS, Adrian - Las Antiguas Histórias del Quiche- Guatemala- 2001). Códice de Desdren - Foto - www.google.com.br/codice+maya+dresden&oq Segundo o Padre Francisco Ximenes registrou em sua cópia, o Popol Vhu relatava a história milenar da origem dos índios no território da Guatemala e a criação e o crescimento das arvores, das vegetações, dos animais, aos quais foi dado um lugar especial. Após criadas as florestas, dos seus vários elementos foi retirado o material para fazer o homem, até que o milho o aperfeiçoou e tornou o homem definitivo (www.ejemplode.com/41-literatura/1869- resumen_del_popol_vuh). Além da criação, o Popol Vuh, relatava os movimentos migratórios dos antecessores dos mayas, até sua fixação. Também registrou uma longa lista em ordem cronológica e genealógica de seus reis, os seus confrontos, as guerras contra outras cidades e diversos outros fatos que atualmente tem auxiliado os estudiosos na compreensão e no resgate da história desta civilização perdida. Outros livros/códices importantes dos mayas se salvaram. Um deles, o Códice Tonalamatl de Aubin, encontra-se em Paris, outro em Madri e o terceiro salvo da fúria da Inquisição, que ficou conhecido como Códice de Dresde, encontra-se atualmente na Biblioteca Nacional de Sajonia, em Desdre, cidade da Alemanha, desde 1740. (ASPIROS, Antônio – El Gran Reportaje de Los Mayas – Ed. Posada – Cidade do México – 1988). De um dos guias que nos acompanhou na visitação que fizemos às ruínas de Tikal, recebemos a informação impressionante do fato de que a civilização maya se iniciou em 11 de agosto de 3114 a.C.. Disposto a conferir a até então duvidosa informação, encontrei sua confirmação no trabalho do estudioso George Stuart, que em 1975 publicou na revista National Geografic Magazine, uma matéria justificando que encontrou esta data após minucioso estudo do Códice de Dresde, tendo ali achado os elementos para interpretação astrológica do calendário maya, que indica ser verdadeira a informação que nos foi dada pelo guia. Tal fato também é confirmado por outro estudioso do tema, Tomas Doreste em sua obra (Guia Extraterreste de México y del Continente – Ed. Lanzarote – México – 1977), que afirma que esta data de 3114 a.C. refere-se ao momento da chegada dos ancestrais à América Central. Mas também há quem interprete que esta data marcou a chegada de extraterrestres na América Central, de quem os mayas teriam assimilado muitos conhecimentos que lhes permitiu evoluírem, conquistarem, superarem e absorverem os povos e cidades adjacentes. Portanto parece-nos incontroverso o fato de que algo realmente muito significativo ocorreu nesta data que registraram no Códice de Desdre, ficando debitado este esclarecimento às futuras pesquisas dos dedicados cientistas e experts. MESES COM VINTE DIAS – O CALENDARIO MAYA Além dos quatro pontos cardeais que hoje são conhecidos universalmente, os mayas incluíam um quinto ponto: o centro dos quatro outros. Suas construções de cidades e templos obedeciam rigorosa obediência ao centro em relação a posição dos outros quatro pontos cardeais. Para observações dos astros, edificavam seus monumentos alinhados pelos pontos cardeais e dependendo da destinação, os ataviavam de acordo com a posição dos astros em uma determinada data de seu calendário. Assim possuíam três calendários, que foram desenvolvidos gradualmente. O primeiro a se desenvolver foi o lunar, depois, o solar, e por fim a "contagem longa". Os sistemas que registravam a passagem dos dias, semanas, meses regiam a vida cotidiana e religiosa, enquanto que o de contagem longa marcava os momentos importantes de sua história. Acasalando a matemática e a observação do céu, conseguiam determinar com uma precisão incrível a duração dos ciclos lunar, solar e de Vênus. Segundo eles, Vênus passa pela Terra a cada 583,935 dias, muito próximo do mesmo tempo que os astrônomos de hoje registram, cujo número correto é 583,920 dias. Um das maiores contribuições para a matemática foi o conceito de zero, dominado por eles no ano de 325 d.C., fato que os europeus só descobriram cerca de 700 anos depois. Os maias já tinham conhecimento de que a Terra era redonda e que o Sol não era o centro do Universo, fato que os europeus só vieram a descobrir séculos após, com as observações de Galileu Galileu. Enquanto a Europa mantinha-se estagnada em seus conhecimentos sobre astronomia, os mayas avançaram neste campo, mesmo sem possuírem nenhum instrumento sofisticado. O Códice de Desdre contém um calendário conhecido como “Tabla de Venus”, onde registraram e previram com exatidão todas as datas dos eclipses solares e lunares, além do alinhamento dos planetas que durante séculos foram observados pelos sacerdotes e astrônomos mayas. Com base em suas permanentes observações, estabeleceram ciclos que serviam de indicadores para as datas que deveriam tomar decisões e desenvolverem as mais diversas atividades, desde a procriação humana que, segundo registram seus códices, indicam com absoluta segurança o dia que as mulheres deveriam ser fecundadas para gerarem filhos homens ou mulheres. Este Códice possui 39 folhas inscritas em ambos os lados e cerca de 358 centímetros de comprimento, e originalmente foi dobrado de maneira semelhante a uma sanfona. Está ilustrado com hieróglifos, numerais e figuras, além de calendários de rituais, de previsões, cálculos das fases de Vênus, eclipses do Sol e da Lua, instruções relacionadas às cerimônias de ano novo e descrições do Deus da Chuva. Culmina em uma miniatura de página inteira mostrando um grande dilúvio. O pesquisador de destaque que trabalhou com os códices maias no século XIX foi Ernst Förstermann, que elucidou os sistemas numéricos dos calendários e astronômicos no Códice e determinou que as deidades, os números e os nomes dos dias contidos nele estavam relacionados ao calendário de 260 dias. Förstermann também utilizou o códice para fornecer importantes contribuições ao conhecimento acadêmico sobre o calendário maya de contagem longa, que conta os dias desde a data de 3114 a.C. (ASPIROS, Antônio – El Gran Reportaje de Los Mayas – Ed. Posada – Cidade do México – 1988). Convergem os estudiosos para o fato de que o conhecimento de astronomia que os mayas possuíam era o mais avançado de sua época, e fundamentados nestes conhecimentos desenvolveram a astrologia, que para eles não havia diferença entre ambos, tratando-as como uma única ciência. Apenas para comparação, nosso Calendário Gregoriano, que foi promulgado pelo Papa Gregório XIII e está em vigor desde 1582, tem uma defasagem anual de seis horas entre a contagem dos dias e o movimento da Terra em torno do Sol, necessitando de um dia a mais a cada quatro anos (ano bissexto) para corrigir a defasagem. Algumas entidades esotéricas da atualidade, fundamentados em estudos de astrônomos e experts, tem argumentado que devemos rever nosso Calendário Gregoriano e adotarmos o Calendário Maya, pois levam em consideração que o Gregoriano foi instituído há mais de cinco séculos, num período que a nossa civilização patinava em termos de conhecimento sobre astronomia. Havia ainda outro calendário, este religioso e que se baseava no movimento realizado pelos planetas Vênus, Marte e outros, conhecido como Calendário Sideral, que para a contagem do tempo se utilizava do movimento de astros, menos o Sol e a Lua. Neste calendário, chamado de “Tzolkin”, o ano durava 260 dias e era dividido em 13 períodos de 20 dias cada. Partindo do fato de que treze são os principais ciclos que rodeiam o nosso planeta, o Calendário Maya de 13 luas propõe que toda a humanidade possa sintonizar-se com esses padrões naturais. Não é demais lembrar que a Lua dá exatamente 13 voltas de 28 dias ao redor da Terra e que o ciclo de 28 dias também é conhecido por sincronizar-se com o ciclo menstrual da mulher. Os 13 ciclos de 28 dias funcionam como meses perfeitos, sem a habitual confusão de 30 e 31 dias do nosso Calendário Gregoriano. Além disso, dentro de um mês com 28 dias encaixam-se 4 semanas perfeitas de 7 dias, que nunca ficam incompletas ou divididas, não havendo necessidade do ano bissexto. Segundo Tales Pinto, (http://brasilescola.uol.com.br/historia-da-america/o-calendario-maya), a data de 21 de dezembro de 2012 foi o fim do Longo Ciclo Maia, ditado pelo calendário que tinha como contagem os dias corridos, composto de 1.872.000 dias. Os três calendários mayas. Crédito do desenho: www.google.com.br/search?q=longo+ciclo+calendario+maia O Longo Ciclo, pelo qual já teríamos passado, iniciou-se no ano de 3.114 a.C. e terminou em 21 de dezembro de 2012, no solstício de verão no Hemisfério Sul. Os mayas utilizavam seus diferentes calendários de forma sincronizada, o que os levava a localizarem o mesmo dia em “anos” diferentes, tanto no calendário solar quanto no sideral. As posições dos dias nos calendários solar e sideral demoravam a se repetir, o que acontecia apenas a cada 52 anos. Por este motivo, não viam necessidade de marcar seus anos. Era uma forma extremamente complexa para se localizar no tempo, mas bem exata, já que se adequava aos movimentos dos principais astros e não apenas do movimento da Terra ao redor Sol. Para melhor se localizarem no tempo passado ou futuro, eles criaram a “Roda do Tempo”, um mecanismo que conjugava as indicações dos três calendários, representados por três círculos com engrenagens, o que possibilitava a indicação exata dos dias nos diferentes calendários.Seu calendário solar foi criado com base em suas observações do movimento do Sol. Para tanto, em diversas cidades construíram um conjunto de três edifícios que marcavam a exata posição do nascer e por do Sol, marcando a posição deste em cada um dos dias de todo período, ininterruptamente, até que o Sol recomeçasse voltar a nascer em sentido leste/oeste e vice-versa, repetindo os mesmos movimentos anteriores. Esta posição solar era vista e registrada de um local exato, que ficava no alto de uma quarta pirâmide, que nada mais era do que um observatório astral. Ruinas do Observatório de Chicken Itza - Foto www.google.com.br/ObservatórioEl+Caracol Embora nesta nossa viagem não tenhamos visitado as ruínas de Chichén Itzá onde se encontra o Observatório El Caracol, o mesmo é considerado o mais importante monumento que os mayas construíram a partir de 660 d.C., para suas observações e estudos da astronomia. Sua estrutura arquitetônica permite fazer observações dos astros com grande precisão. Estudando os resultados fornecidos pela câmara alta do Caracol, descobriu-se que o primeiro ponto de observação dá a direção exata do sul; o segundo mostra o cenário da Lua em 21 de março; o terceiro aponta a direção do oeste, bem como a configuração do Sol nos equinócios de 21 de março e 21 de setembro e, finalmente, outra observação através da mesma abertura corresponde ao pôr-do-sol no solstício de verão, no dia 21 de junho. Esses dados são os alicerces do sistema maya. A partir desta edificação, do topo da torre, seus surpreendentes astrônomos fizeram observações das estrelas e registraram e previram todos seus movimentos. Também porque esta construção possui forma muito semelhante à dos observatórios modernos, o El Caracol é considerado um dos principais edifícios da Civilização Maya. Dos observatórios visualizavam o movimento solar Desenho de autor desconhecido O engenheiro mexicano Hector Calderon, presidente da Associação Cultural Maya, conferencista e autor de interessantes livros resultantes de suas investigações, afirma que, baseado na posição dos astros que tinha ocorrido na data de nascimento, sobreposto ao dia em que se encontravam, e consultando seus calendários, os mayas possuíam conhecimento para saberem à que atividades estavam vocacionados os nascidos em determinado dia, e ainda podiam indicar o que cada cidadão deveria fazer e como portar-se em dias determinados. RELIGIAO Conforme registrado no Popol Vuh, acreditavam que no passado remoto haviam tido diversos mundos, que desapareceram por sucessivos dilúvios universais e que o mundo em que viviam era palco de contínua e permanente luta entre deuses bons e deuses maus. Também acreditavam na existência de uma alma e sua imortalidade depois da morte, e que após a morte havia um paraíso e um inferno, para onde iam as almas boas e as más. Em sua concepção teológica o universo era composto por três níveis sobrepostos: o céu, que era subdividido em treze diferentes níveis onde habitavam treze divindades boas; a terra, onde habitavam os homens, animais e tudo mais que existia e o infra mundo, onde habitavam nove divindades do mundo inferior. No entanto, a religião que adotaram sofreu muitas variações, isso devido a longevidade de sua civilização que sofreu influências de outros povos com quem comerciavam e de cidades e povos que dominaram. No que pese serem muito contestadas, existem pesquisadores e autores que sustentam a tese de que tiveram contato com seres extraterrestres, de quem apreenderam diversas ciências e as incluíram em sua religião. Um destes extraterrestres, a quem denominaram “Pakal”, chegou a ser um grande rei, como narraremos mais adiante. Basicamente não se tratava de uma religião igual as nossas, com um deus autoritário capaz de premiar ou de castigar. Tratavam de viver de acordo com o modelo que lhes inspiravam os astros e a natureza. Esse ideal religioso direcionava cada uma das vidas. Eram monoteístas, acreditando num único deus supremo, o Hunab Kú, mas possuíam dezenas de deuses secundários, tais como o deus Kinich Ahau, que era considerado patrono da caça, da música e da poesia; Itzamná, o deus dos céus, da noite e do dia; Chac o Chac, o deus mais venerado e popular, senhor das chuvas e protetor das colheitas; Ah Puch, o deus soberano de gênio malévolo, senhor da morte, das guerras e dos sacrifícios humanos; Saman Ek, o patrono dos comerciantes; Ixtab, o deus da caça e dos suicídios e Huracanb, deus dos ventos e dos trovões, dentre outros. Mais tarde, o povo tolteca os influenciou a adotar Kukulcán, que ganhou supremacia sobre os demais deuses e se tornou uma divindade popular. Para que os deuses fossem benévolos, acreditavam necessitarem de sangue humano, que ofereciam em cerimônias religiosas imolando no alto de seus monumentos os prisioneiros, devedores de impostos e muitas vezes voluntários. Com o passar dos séculos e dos conhecimentos que desenvolveram, a religião foi elemento unificador dos mayas, principalmente no Período Clássico. Seus grandes centros cerimoniais foram as cidades de Tikal, localizada na Guatemala e de Palenque, localizada no México, monumentais marcos erigidos pela força de suas fés e crenças religiosas. POVO LÍTICO No aspecto tecnológico sua atividade industrial mais importante foi a lítica, posto que vieram a conhecer o cobre e outros metais somente a partir do anos 1100 d.C, em diante, quando declinava sua civilização. Até então usavam diversos tipos de pedras, sendo as mais utilizadas a obsidiana, o pedernal, o sílex e o jade, principalmente este último, face a grande quantidade e variedade deste mineral que dispunham. Com elas produziam suas armas, ferramentas, móveis, máscaras mortuárias e adornos que eram utilizados exclusivamente pela nobreza, dentre outros objetos. E como foi com pedras que ergueram suas fantásticas estruturas arquitetônicas, para compreender esta tecnologia lítica, ficamos sabendo que usavam pedras de diversos graus de dureza, que atualmente são medidas numa escala de 1 a 10, sendo que a pedra mais dura será sempre capaz de riscar e até cortar as de menos dureza. Entre os mayas este conhecimento foi muito útil, o que lhes deu suporte ao seu desenvolvimento tecnológico. Para conhecer um pouco mais de sua arte lítica, durante nossa presença em Antígua, visitamos o Museu do Jade Maya, onde desenvolvem atividades líticas para demonstrarem e venderem aos visitantes. Pudemos testemunhar que a obsidiana e um tipo de jade escuro eram os mais utilizados para esculpir, modelar e cortar peças de ouros tipos de pedras com menor dureza, tais como o jade verde claro, o calcário, o sílex e outras. Mascara de Jade no Museu do Jade. Foto do autor. Tendo em seu subsolo três placas tectônicas e diversos vulcões, os minerais, como o jade, por exemplo se tornaram abundantes, pois se formaram graças a existência de gazes emanados das profundidades por altas pressões e elevadas temperaturas. Nos foi explicado que os blocos com os quais ergueram seus monumentos eram tirados das pedreiras fazendo riscos profundos com pedras mais duras, que após produzir uma fenda de poucos centímetros de profundidades, eram segregadas do bloco monolítico com o uso de cunhas de pedras de maior dureza. Depois das explicações, fomos levados à loja onde estão à venda produtos originalmente produzidos com ferramentas líticas. MEDICINA E ODONTOLOGIA MAYA Os médicos mayas eram conhecido como Dzac Yah. Eram homeopatas, com um amplo conhecimento das plantas medicinais que suas exuberantes florestas produziam. Em seus códices registraram e prescreveram tratamentos de acordo com os diagnósticos das doenças que registraram. Eram pessoas que tinham a faculdade de compreender e interpretar as características de cada doença através da conversa com o doente e assim receitar as curas com a indicação de ervas e seu modo de preparo. Complementarmente também usavam métodos físicos, como o sangramento por sanguessugas ou com dentes secos de cascavel, perfurações com espinhos de porco-espinho ou peixes e as massagens para curarem certas doenças. (wikipedia.org/wiki/Medicina_maya) Dentre sua gente, os curandeiros ou "médicos mayas", eram conhecidos e respeitados por sua eficiência, cujas práticas e emprego de ervas como remédios ainda tem grande aceitação e são largamente utilizadas por seus descendentes. Já no ramo da odontologia, em relação aos países que concomitantemente se formavam na Europa, os mayas foram pioneiros. Ao longo de deste último século, muitas arcadas dentárias foram encontradas com dentes incrustados com pedras preciosas. Murais e desenhos inscritos nos templos e pirâmides registraram como praticavam a odontologia. É bem possível que as incrustações dentárias que faziam tivesse algum significado religioso, ornamental ou denunciassem uma determinada posição política ou social. No entanto, a perfeição dos implantes que realizaram nos dentes, demonstram que dominaram uma tecnologia considerável. Crânio maya no Museu do Jade Foto do autor Segundo a análise dental das incrustações dentárias encontradas nas ossadas, elas foram feitas na pessoa viva, com as cavidades feitas com broca rudimentar, usando quartzo como abrasivo por sua dureza. Ali cravavam pedras de jade, ametista, hematita, turquesa, quartzo, cinábrio ou pirita de ferro. Depois a incrustação era fixada com um ajuste perfeito à cavidade por um cimento de fosfato de cálcio. Indagado ao guia que nos conduzia pelos antigo caminhos do interior de Tikal a respeito de imagens que haviamos visto representando ser um dentista tratando seu paciente, o mesmo recolheu algumas folhas de um pequeno arbusto próximo e solicitou que mascássemos, o que relutantemente fizemos: imediatamente após as primeiras mordidas a boca ficou levemente anestesiada, exalando o exato gosto da anestesia que recebemos quando vamos ao nossos dentistas. "Dentista" maya. Foto Curionautas As folhas eram da árvore com a qual se produz até hoje a xilocaína, o componente básico do anestésico bucal. Para os especialistas, não foi o cimento utilizado que manteve a adesão, mas a perícia no preparo da cavidade com o auxílio da força mecânica que resultaram na excepcional aderência dentária que se manteve ao longo de todo este periódo (www.propdental.es/blog/odontologia/historia-de-la-odontologia-maya) ORGANIZAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL Com uma população que recentes estudos universitários afirmam ultrapassado a vinte milhões de pessoas, e que o Almanaque Mundial em 1985 havia afirmado serem de treze a quinze milhões de habitantes, cada cidade maya contava com uma autoridade máxima, equivalente a um rei, que detinha poderes adquiridos por hereditariedade. As cidades eram consideradas cidades-estados que dispunham de grande autonomia, mas que eram regidas por uma espécie de Confederação, formada por uma grande coalisão durante sua existência. Cada cidade possuía sob seu mando diversas aldeias no seu entorno e outras mais distantes. Desde os primeiros momentos desta civilização, a família e o parentesco foram a base da sociedade maya. A organização familiar era extensa, incluindo até terceira geração, todos vivendo em uma mesma casa, onde os mais velhos eram os chefes. Sua população era dividida em castas, regidas por grupos familiares e que, segundo Fenrir (http://www.doismiledoze.com/os-deuses-maia), o rei da cidade era conhecido como halach-uinic, que designava os chefes de cada aldeia, o bataboob, que desempenhava funções civis, militares e religiosas. O comandante militar, o nacom, era eleito a cada três anos. Outros cargos importantes eram os guardiões, os tupiles, e os conselheiros, os ah holpopoob. A nobreza maya incluía dignitários, sacerdotes, guerreiros e comerciantes. A classe sacerdotal era muito poderosa, pois detinha o saber relativo à evolução das estações e ao movimento dos astros, de importância fundamental para a vida econômica, que era baseada na agricultura. Os sumos sacerdotes dominavam os segredos da astronomia, redigiam os códices e organizavam os templos. Tanto as artes quanto as ciências eram de domínio exclusivo da classe sacerdotal. Abaixo do sumo sacerdote havia os ahkim, encarregados dos discursos religiosos; os chilan, que faziam os prognósticos e os ahmén, os feiticeiros. Os artesãos e camponeses eram conhecidos como ah chembal e uinicoob e constituíam a classe inferior. Além de se dedicarem ao trabalho agrícola e à construção de obras públicas, pagavam impostos às autoridades civis e religiosas. Na base da pirâmide social estava a classe dos pentacoob, formada pelos escravos e por prisioneiros de guerra ou infratores do direito comum, obrigados ao trabalho forçado até expiarem seus crimes. Para serem conduzidos aos postos administrativos e religiosos, tinham que fazer por merecer, mostrando méritos e aptidões através de um exame consistente que incluía decifrar enigmas e interpretar expressões figurativas. Os candidatos que fracassavam tinham que estar dispostos a morrer. Para aspirar ao poder, o indivíduo tinha que saber interpretar palavras e escrita. Se o aspirante fosse eleito, ele era tatuado com pictogramas na garganta, no pé, e na mão. Os reis das cidades governavam com a ajuda de seus parentes diretos, e seu cargo era hereditário para garantir a continuidade e a hegemonia das linhagens principais. Os membros da nobreza e parentes de segunda linha dos reis cumpriam distintas funções. Os bataboob se dedicavam à percepção de tributos, à administração da justiça, ao ofício da escrita e oficializavam os sacerdotes. Nobre maya Museu do Jade - Foto do autor Em degraus mais baixos, mas ainda considerados como pertencentes às classes superiores, uma diversidade de funcionários cumpria distintas funções. Os ah cuch caboob controlavam o trabalho dos camponeses e as castas inferiores. Os ah holpop eram delegados político-religiosos responsáveis pela organização de cerimônias e a custódia dos instrumentos musicais. Os tupiles eram oficiais reais e chefes administrativos. Eles tinham a responsabilidade de impor a ordem no interior das cidades. As cerimônias religiosas mais relevantes eram conduzidas por nobres de alta posição da família real, encabeçados pelo rei, cuja liderança sacerdotal era inerente ao cargo. Os sacerdotes eram os responsáveis por controlar, preservar e transmitir os conhecimentos, mas não podiam repassa-los às classe inferiores. Realizavam cálculos astronômicos, monitoravam o calendário e a passagem das estações. Dominavam o sistema da escrita, produção e interpretação da doutrina e a organização de rituais e sacrifícios. Abaixo dos artesãos, estavam os camponeses, cujas linhagens residiam fora ou na periferia das cidades, pagando tributos, trabalhando nas construções monumentais e participando das atividades cerimoniais. Tipica vivenda de agricultores mayas - Painel do Museu de Arqeologia Foto do autor O último escalão social era ocupado pelos escravos ou pentac-ob. Com frequência eles eram oferecidos nos rituais de sangue. O papel das mulheres se limitava à reprodução. As jovens das linhagens de elite eram trocadas por mulheres de outras cidades, gerando redes de parentesco vinculadas a todas as regiões do mundo maya, sem a obrigação de se casar com homens da mesma linhagem ou casta, fortalecendo as alianças que mantiveram a unidade da confederação de cidades por tantos séculos. Excepcionalmente, cidades como Palenque e Tikal admitiam que as mulheres da nobreza ocupassem papéis governantes, caso a linha de descendência masculina fosse interrompida. As normas morais eram extremamente rígidas. O adultério era proibido e as mulheres que traíssem o marido eram mortas por apedrejamento. Aceitava-se o divórcio, e em caso de insatisfação era permitido devolver a noiva durante o primeiro ano de casamento. Tipico mercado maya. Painel do Museu de Arqeologia Foto do autor O consumo de álcool, tabaco e estupefacientes era um privilégio dos homens das castas superiores, que recorriam aos mesmos para facilitar a comunicação com os antepassados e com outras entidades. PAKAL – REI E ASTRONAUTA ? Nos museus e nas bibliotecas que visitamos, encontramos muita literatura sobre uma descoberta que ocorreu em 1952 pelo arqueólogo Alberto Luiz Lhuiller na cidade mexicana de Palenque. Depois de escavações no interior de uma das maiores edificações dos mayas, que desceu 45 degraus abaixo do solo, Lhuiller descobriu a câmara mortuária onde estavam os restos mortais de K’inich Janaab’ Pakal, que tinha o rosto coberto por uma máscara entalhada em pedra de jade. Sobre seu sarcófago, tapando-o, havia uma grande e grossa lápide pesando 3.000 quilos, onde na parte superior se encontra entalhada enigmática figura que ainda hoje fascina os estudiosos e cientistas, inclusive a NASA. Lamentavelmente o tempo que dispúnhamos não nos permitiu visitar este sítio, pois ficava fora de nossa planejada rota, há cerca de 400 quilômetros de Tikal, onde estávamos. Assim, aguçado pela curiosidade sobre este rei maya, sempre que tive oportunidade, debrucei-me sobre o tema na farta literatura que encontrei em livrarias e bibliotecas que visitei. No Museu do Livro Antigo Foto Ivete Scopel Após a descoberta, especialistas em práticas pseudocientíficas e ufólogos passaram a afirmar que as imagens e as gravações em pedras comprovaram que os mayas dominavam tecnologias de alto alcance e que tinham relações com seres extraterrestres, chegando a afirmarem que Pakal seria um deles. Na atualidade, o rei Pakal é considerado o maior de todos os governantes mayas até então descobertos. Maior em todos os sentidos, até em sua estatura, com cerca de 1,80 de altura, o que era incomum, já que os mayas tinham uma baixa estatura, que não ultrapassavam de 1,50 metros de altura. Reprodução em tamanho real do Rei Pakal, com réplica da máscara e ornamentos de jade, como foi encontrado em Palenque - Foto Ivete Scopel Para os ufólogos e estudiosos comprovarem a tese de que Pakal provinha do espaço, argumentam que, além de seu tamanho descomunal em comparação com a estatura médias dos mayas, a gravura que estava entalhada na enorme tampa de pedra da sua urna funerária, não deixa dúvidas de que Pakal foi ali retratado pilotando uma espaçonave, na mesma posição vertical em que ficam os atuais astronautas, quando no interior de suas cápsulas são lançados ao espaço. Observando detalhadamente a gravura, Pakal aparece com suas mãos e pés colocados sobre alavancas que serviam para pilotar a nave, e olhando com atenção, verifica-se que em seu nariz está conectado um dispositivo com equipamentos da nave, que supostamente o ajudaria a respirar. Seus pés representam estarem acionando pedais para decolagem e sua roupa tem algumas características que coincidem com os atuais astronautas. Abaixo da imagem do piloto, a gravura retrata que de base inferior de capsula, saem labaredas de fogo, dando a impressão de que a nave está sendo impulsionada para o espaço. Por estas aparentes similaridades com um astronauta decolando rumo ao espaço, os americanos despertaram interesse e através da NASA, fizeram uma longa investigação e sua conclusão estimulou as afirmações de que se tratava de uma piloto em uma espaçonave. Embora não tenham assim afirmado, concluíram que a gravura entalhada possuía nada menos do que 16 pontos idênticos aos painéis das suas atuais naves espaciais. Tumba do Rei Pakal , em Palenque Foto: google.com.br/search?lapide+de+pakal Com esta afirmação, a partir de 1970 eclodiu a literatura produzida por ufólogos e estudiosos do assunto, que infundiram e popularizaram a expressão que hoje é conhecida como “Pakal – O Astronauta de Palenque”. Pakal teria vivido e reinado em outras cidades mayas, o que não está ainda devidamente comprovado. Pelas mais recentes descobertas que estão permitindo decifrar a quase totalidade dos hieróglifos de sua longeva civilização, os investigadores descobriram que Pakal nasceu em março de 603 d.C. e faleceu em agosto de 683 d. C., quando tinha 80 anos de idade e que era filho de K’na Mo’Hix e de Sak K’uk. Desenho da imagem esculpida na lápide de Pakal. Foto blogdomailton.webnode Teve como esposa Tz’akb’u Ajaw, com quem teve três filhas mulheres, motivo pelo qual após sua morte seus netos é quem governaram. Conhecido como Pakal - que significa escudo, Pakal- o Grande, ficou reconhecido pela evolução que incrementou na cidade de Palenque, que era conhecida como B'aakal, que era uma cidade modesta quando ascendeu ao trono, e foi por meio de seus esforços que Palenque se tornou um dos grandes centros urbanos da Mesoamérica, rivalizando mesmo com o poder e o esplendor de Tikal. Pakal a tirou da obscuridade, dotando-a de grande poder político e econômico através da execução de seus projetos, responsáveis pela edificação de diversos templos, especialmente o Templo das Inscrições. Pakal assumiu o trono de Palenque aos 12 anos, em 615 d.C., e governou com êxito até sua morte aos 80 anos de idade. As remanescentes ruínas de Palenque visíveis nos dias modernos são apenas uma pequena fração da cidade antiga desenvolvida e expandida por Pakal durante seu reinado. O resto da vasta metrópole permanece soterrado e inexplorado na selva circundante. Tive oportunidade de folear diversas publicações afirmando que Pakal detinha conhecimentos até então desconhecidos, e que os transmitiu aos seus sábios e sacerdotes, fazendo com que sob seu governo e nos de seus sucessores houvesse um grande desenvolvimento da cultura e da economia de Palenque. De fato, prevalecendo a divisão das diversas eras da civilização dos mayas, constata-se que durante o Período Clássico, ou seja, de 300 d.C. a 900 d.C., houve a grande evolução maya, acentuando-se durante e após o governo de Pakal, O Grande. CIDADES MAYAS Há poucos anos imaginava-se que haviam poucas cidades e pequenos povoados mayas, que haviam sido tomadas completamente pela mata que sobre elas floresceu após 900 d.C., quando iniciou o processo de degradação de sua estrutura política. Além da mata, movimentos sísmicos teriam contribuído para que estes sítios fossem encobertos e permanecessem escondidos por séculos. Pesquisas inovadoras, que utilizaram a tecnologia chamada LiDAR, cujo termo foi apropriado das palavras “luz e radar”, que utiliza luz de lasers ultravioletas, visível ou infravermelho, fizeram novas descobertas usando sensoriamento remoto, que pode ser usado em uma ampla gama de alvos, incluindo objetos não metálicos, rochas, chuva, compostos químicos, aerossóis, nuvens e até mesmo moléculas únicas. Colocado o equipamento em um satélite e disparando laser em direção a região alvo do solo, e analisando a luz refletida de volta, puderam assim calcular tamanhos, alturas e distâncias, copiando as imagens obtidas para produzir mapas tridimensionais. Esta nova técnica permitiu que os pesquisadores mapeassem os contornos do que descreveram como dezenas de cidades mayas soterradas que descobriram, escondidas que estavam sob as raízes da milenar selva espessa, e que haviam sido abandonadas pelos habitantes originais, incluindo pirâmides, palácios, calçadas, lares, terraços, centros cerimoniais, canais de irrigação e fortificações, que uma vez constituíram a enorme civilização pré-colombiana, como uma megalópoles espalhada, muito mais complexa do que a maioria dos especialistas jamais acreditara. A equipe de arqueólogos escaneou com seus raios uma área de 2.100 quilômetros quadrados da selva e encontraram cerca de 60.000 novas estruturas nos últimos dois anos, até então desconhecidas e que estão localizadas no Departamento de Petén, onde também estão localizadas as ruínas de Yasha e de Tikal, que visitamos. Segundo Thomas Garrison, pesquizador do Colégio de Arqueologistas da National Geographic Explorer, (https://celebrityrave.com/article/new-images-ancient-mayan), a abundância de muros defensivos, muralhas e fortalezas revelados pelas novas imagens sugere que a guerra era abundante e que a América Central assistiu o nascimento, o florescimento, a ruína e o sepultamento de uma sociedade mais avançada do que as culturas antigas da Grécia e da China. Além das estruturas anteriormente desconhecidas, as imagens mostram rodovias elevadas que ligam centros urbanos entre sí à locais portuários e à pedreiras, dentre outros. Também encontraram sistemas avançados de irrigação e terraços agrícolas onde desenvolveram técnicas para uma civilização agrícola que foi uma das mais avançadas a surgir no Continente Americano. Pesquisadores analisam imagens do LiDAR. Foto National Geografic Assim, a moderna tecnologia ajudou os pesquisadores a descobrir sites muito mais rápido do que usar métodos arqueológicos tradicionais. "Agora não é mais necessário cortar a selva para ver o que está por dentro. É uma revolução da arqueologia maya”, disse Marcello Canuto, um dos principais integrantes e pesquisadores do projeto em entrevista ao canal de TV da National Geografic. "As imagens do LiDAR deixam claro que toda essa região era um sistema de assentamento cuja escala e densidade populacional haviam sido grosseiramente subestimadas", afirmou Thomas Garrison, arqueólogo do Ithaca College e National Geographic Explorer ao canal de TV da National Geographic. Com esta descoberta, divulgada pelo jornal argentino El Pais e pelo canal televisivo da National Geografic, coincidentemente nos dias que estávamos na Guatemala, os cientistas passaram a estimar que a população maya superou em muito a casa dos 15 milhões de habitantes que a National Geografic havia estimado décadas antes. ra característica das antigas cidades mayas, conforme apurado pelos experts e que já constava no Popol Vuh, indica que as cidades tinham atividades diferentes e especificas, como por exemplo, Copán, era considerada a cidade dos astrônomos; Bonampak, cidade dos que produziam murais; Tulum cidade portuária por onde os mayas faziam suas navegações; Ek Balam, cidade onde era praticada a adoração ao Jaguar Negro; Dzibilchaltun, enigmática cidade e centro de cerimoniais; Saylim, a cidade do Grande Palácio; Cobá, cidade dedicada as estrelas; Kohunlich, cidade onde eram produzidas as grandes máscaras; Palenque, morada do Rei Pakal; Calakmul, considerada o Reino da Serpente; Tikal, a cidade dos grandes palácios e pirâmides, dentre muitas outras. Com o passar dos tempos, as principais cidades deixaram de ser apenas centros cerimoniais para ir-se convertendo em populosos núcleos habitacionais, o que motivou o surgimento de muros para fortificação, principalmente após determinado período quando a casta militar ficou subordinada aos sacerdotes. TRANSPORTE POR ESTRADAS, RIOS, CANAIS E ROTAS MARÍTIMAS Caminhando por cerca de seis quilômetros em trilhas reabertas pelo meio da mata e sobre antigas estradas em meio as ruínas, ainda quase que totalmente encoberta por densa floresta, podemos perceber e registrar antigas estradas revestidas por uma espécie de asfalto branco, ainda bem conservadas, que segundo nosso guia, os espanhóis denominavam o material de revestimento como sendo “estuco”, que foi inicialmente utilizado pelos maias para fazer a ligação entre os templos da cidade, estendendo-os mais tarde para fazerem as ligações entre algumas de suas cidades. Os mayas denominavam estes caminhos como Sacbé, termo iucateque que significa estrada branca, porque as pedras e areias tinham origem calcária. Caminhos permanecem revestidos há milênios, ao lado de pirâmides ainda cobertas pela mata, a espera de escavações arqueológicas. Foto do autor Diferente de outros povos, como os incas, por exemplo, não domesticaram nenhum animal silvestre que servisse para transportar suas mercadorias e tampouco utilizaram a roda como instrumento de transporte. Então, se não usavam a roda e não utilizavam animais como meio de transporte, para que serviam suas estradas “asfaltadas”? Nos foi explicado que este “estuco”, que parece um asfalto branco, era proveniente da mistura de areias calcárias com seivas de diversos tipos de arvores. Para cada tonelada de areia, tinham que utilizar sete toneladas de madeiras, das quais extraiam a resina que misturavam à areia, obtendo o produto final para revestimento das estradas. O uso de materiais como pedras obsedianas, jade, perdernal plumas, peles, cacau, algodão, sal, conchas e diversos produtos agrícolas, gerou um sistema de intercâmbio de longa distância. A navegação de rios, canais, lagos e da costa marítima foi fundamental para o intercâmbio e a comunicação , sistema este que foi complementado com uma rede de caminhos terrestres entre as cidades e povoados. E junto com os materiais, pelos mesmos caminhos também viajaram as idéias, as crenças, e o conhecimento, permitindo um desenvolvimento mais avançado da sociedade maya. Além da utilização para a população percorrer a pé carregando produtos e mensagens, as estradas que interligavam estes poucos quilômetros que percorremos a pé, também percebemos que as mesmas, em alguns pontos, possuíam vestígios de muros laterais com cerca de quarenta centímetros de altura, formando assim um extenso canal impermeável para transportar as águas das chuvas para os cenotes, uma espécie de reservatórios de águas que eram de formação natural ou previamente escavados, destinados ao abastecimento das populações das cidades. Estradas resistiram as centenárias árvores. Foto do autor Confirmado pelas pesquisas que depois buscamos na literatura, os guias nos informaram que as estradas revestidas também serviam para o transporte de blocos de granitos retirados das pedreiras e destinados às construções de suas pirâmides e prédios. Não conhecendo a roda e nem tendo domesticados animais para utilizarem como meio de transporte, os blocos de granitos eram tracionados com cordas pela força de seus escravos, com a colocação de troncos de madeira roliça sob os blocos areníticos, fazendo-os deslizarem sobre os troncos que rolavam sobre a estrada, desde a pedreira de onde extraiam até suas construções, muitas vezes distantes dezenas de quilômetros. De fato, consultando na internet (http://masdemx.com/2016/12/los-mayas-crearon-el-primer-sistema-de-carreteras-del-mundo), constatamos que um grupo de arqueólogos, encabeçado pelo americano Richard D. Hansen, anunciou o resultado de sua investigação feita em 2014, onde concluiu que a civilização maya possuiu uma “rede de super-estradas”, muito mais completas e amplas que a dos romanos. Apenas nas cercanias da cidade de El Mirador, na fronteira da Guatemala com o México, por meio do lazer de alta precisão do LiDAR, o Projeto Arqueológico Cuenca Mirador confirmou a existência de um rede de 17 estradas com mais de 240 quilômetros de extensão, concluindo que este sistema de estradas permitiu um ativo intercâmbio comercial entre as cidades mayas daquela região. Desde muito já era conhecida a estrada que liga as antigas cidades de Cobá e Yaxuna, com 100 km de extensão e os restos de um caminho ainda mais longo foram recentemente descobertos. Este longo sacbé aparentemente ligava Ti'ho (actual Mérida, Yucatán) ao Mar das Caraíbas, próximo de Puerto Morelos, passando por sítios como Ake e Izamal numa distância total aproximada de 300 km. Conforme já narrado, os mayas construíam longos canais para irrigação de sua agricultura, que também eram navegados para o deslocamento de suas produções agrícolas. Em diversas regiões estes canais uniam lagoas e rios. Especialistas em antropologia maya confirmam que o Mar do Caribe e a parte sul do Golfo do México eram navegados pelos mayas, que assim atingiam as ilhas caribenhas e o litoral da Península do Yucatã, onde hoje está a Guatemala, Belize e parte do México. Segundo afirma Jaques Soustelle (Los Mayas – Paris – 1982 e Uma Guia Para El Mistério Maya – Edição 23 da Revista de la Universidad de México – México – mar/1983), seria um erro imaginar que esta população enorme, desprovida da roda e de cavalos ou de outro meio de transporte animal, não viajavam. Junto com Carlos Salgado (Seis meses y 16.000 Kilometros por Tierras Mayas - Revista Geográfica Universal nº 4 México – Abr/1981), Soustelle sustenta que como marinheiros foram de excepcional valor comercial e que além do Mar do Caribe, utilizavam toda a bacia navegável do principal rio de seu território, o Rio Usumacinta, com embarcações que tinham capacidade para levarem toneladas de cargas ou até 200 pessoas. Embora não conhecendo os metais para usarem bússolas ou astrolábios, pois eram líticos, foram bons astrônomos, guiando-se pelas estrelas, o que lhes permitia dominar rotas marítimas em alto mar. Na zona arqueológica da atual cidade de Tulum, na Península de Yucatan, a 100 quilômetros ao sul de Cancun, no México, frontal ao Mar do Caribe, existe uma cadeia de arrecifes retilíneos, que por muitos quilômetros margeiam toda costa, impedindo embarcações de chegarem à praia. No entanto, ainda estão visíveis os vestígios de uma estrutura portuária, que em frente a uma das antigas pirâmides fronteira ao mar, tem uma passagem que mergulhadores mayas abriram por meio dos arrecifes, com 14 metros de largura por 30 metros de cumprimento e 8 metros de profundidade, ou seja, por onde os barcos mayas atravessavam os arrecifes, entrando e saindo para carga e descarga. A importância portuária de Tulum para os mayas foi descrita no relato do conquistador espanhol Juan de Grijalba, que em 1518, relatou que as ruinas da aldeia indicavam que tinha sido habitada por um povo tão grande que “a cidade de Sevilha não poderia ser maior e nem melhor, e que ali havia uma grande torre, embora abandonada”. (ASPIROS, Antônio – El Gran Repostaje de Los Mayas - Ed. Posada – México – 1988). CENOTES Cenotes são conexões entre áreas alagadas, superficiais ou subterrâneas. Enquanto os cenotes mais conhecidos são grandes piscinas medindo muitos metros de diâmetro, como as existentes em Chichén Itzá, o maior número de cenotes são pequenos e estão em locais abrigados e muitas vezes não tem qualquer água de superfície exposta. O termo cenote também é empregado para descrever formações parecidas e presentes em outros países como em Cuba e na Austrália. As águas dos cenotes geralmente são límpidas, porque esta provem de filtragem de água de chuva lentamente através do solo e, portanto, contém poucas partículas suspensas. A taxa de fluxo das água subterrânea dentro de um cenote pode ser muito lenta. Em diversos casos, cenotes são áreas onde seções do teto das cavernas cederam, revelando um sistema de cavernas subjacente. O Cenote Sagrado de Chichen Itzá Foto: google.com.br/searchcenote+sagrado+cancun A península de Yucatã quase não tem rios e apenas algumas lagoas e essas são muitas vezes pantanosas. Os cenotes extensamente distribuídos são a única fonte perene de água potável e têm sido sua principal fonte em grande parte do seu território. Grandes assentamentos mayas tinham acesso a essas fontes de água, assim como as cidades, incluindo Chichén Itzá, construída ao redor desses bens naturais. Alguns, como o Cenote Sagrado, tinham um importante papel nos seus rituais. Acreditavam que essas piscinas eram portais para a vida após a morte. A descoberta de artefatos de sacrifício em alguns cenotes levaram a explorações arqueológicas na primeira metade do século XX. Edward Herbert Thompson, um diplomata norte-americano que comprou o sítio de Chichén Itzá, começou a dragagem do Cenote Sagrado em 1904. Ele descobriu esqueletos humanos e objetos de sacrifício, confirmando a lenda local de que o Culto do Cenote envolvia sacrifícios humano ao Deus da Chuva, cujas vítimas eram imolados e jogadas no cenote. A maior incidência de cenotes que os mayas utilizavam para suprimento de agua ou para rituais sagrados está localizada no litoral leste da Península do Yucatã, em territórios hoje pertencentes à Belize e ao México, na chamada Riviera Maya, mais exatamente entre as cidades mayas originárias de Tulum e Cancun. O MORTAL JOGO DE BOLA Os mayas assimilaram dos olmecas um jogo de bola, que também foi praticado por outros povos, inclusive os incas e os astecas. Suas regras variaram de acordo com a cultura e a religião de cada povo que o adotou, sofrendo alterações com o passar dos muitos séculos. Segundo a Wikipedia (Jogo_de_Bola_Mesoamericano), os mayas chamavam ao jogo de bola de pitz, e a ação de jogar, era denominada de pitziil, isso em sua língua clássica. A associação destes jogos à mitologia era central para sua crença religiosa. O mais antigo campo de jogo ainda existente tem sua construção datada com precisão remontando a 500 a.C. Está localizado em Nakbé, no Departamento de Petén, na Guatemala. O número de jogadores ou pitziil variava de 2 a 5 por equipe, que utilizavam proteções na cabeça (pix'om), nas ancas (tz'um), nos joelhos e nos cotovelos (kipachq'ab'), que eram feitas de pele de jaguar ou veado. As partes corporais referidas eram as únicas a poder entrar em contato com a bola (kid), feita de uma mistura de látex e de seiva da arvore da flor conhecida como dama-da-noite. A bola tinha um diâmetro que variava entre 25 a 30 cm e o peso máximo era de 3 kg, isso durante o Período Clássico. O mortal jogo de bola maya- Foto: google-pinterest Jogar o jogo de bola era participar na manutenção da ordem cósmica do Universo e da regeneração ritual da vida. Era um jogo de sorte e perícia, refletindo a vida. O esforço da equipe era ditado pela busca da reinvenção da vida e definia o lugar de cada um na ordem cósmica. No final do Período Clássico, o jogo de bola estava ritualmente associado às guerras entre as várias cidades-estados da época. O sucesso da conquista militar era recriado nos públicos rituais de jogos de bola, em que prisioneiros de guerra de alta patente eram derrotados e sacrificados. Por vezes eram mantidos presos, torturados e em exibição pública durante anos antes de serem sacrificados. Jogadores mayas observam o sul (em preto) dos pontos cardeais, o inframundo dos mayhas. Painel de autoria desconhecida - Foto do autor. Em algumas ocasiões as cerimonias pós-partida incluíam o sacrifício do capitão e de outros jogadores da equipe derrotada. A associação do jogo com o sacrifício e a morte era particularmente usada na costa do Golfo do México, onde o crânio de um perdedor podia ser utilizado como o núcleo de uma nova bola, a volta do qual se colocava camadas de látex para formar nova pelota. Os sacrifícios humanos tornaram-se um desfecho comum para as partidas de jogo de bola, particularmente nos jogos reais entre cidades poderosas. Os nobres mayas do clássico tardio eram ao mesmo tempo guerreiros e jogadores de bola. Os prisioneiros de guerra jogavam bola com os vitoriosos, com um desfecho pré-determinado. Após o jogo, que era uma reconstituição ritual da derrota duma cidade-estado, os cativos eram muitas vezes decapitados ou os seus corações eram arrancados num sacrifício de sangue. As cidades derrotadas passavam então a serem administradas pelas autoridades das vencedoras. A bola deveria passar pelo aro, equivalente as atuais goleiras. Foto Pinterest As paredes do campo de jogo de bola de Chichén Itzá, retratam equipes adversárias, com o líder da equipe vencedora segurando a cabeça decapitada do líder adversário, que se encontra de joelhos com sangue em forma de serpentes jorrando do seu pescoço. O objetivo do jogo era enviar a bola para o lado do campo defendido pelo adversário. No clássico tardio, o principal era enviar a bola através do buraco redondo de um dos dois aros de pedras, colocados nas duas paredes verticais de cada lado do campo de jogo, no meio da linha lateral do campo. Cada jogador tinha muitas vezes um colega de equipe diretamente atrás dele, em apoio. Na versão mais comum, o jogo iniciava com a bola sendo atirada à mão para o campo, e a partir desse momento os jogadores apenas podiam bater a bola de um lado para o outro do campo com as coxas, ancas e braços, sem poder chutar ou agarrar com as mãos, tentando faze-la entrar em um dos dois aros colocados nas paredes verticais e laterais do campo. Em algumas versões do jogo, os pés eram usados como no futebol atual. Campo para jogo de bola em Chichen Itza - Foto Murilo Pgani Noutras eram usados bastões, pás ou raquetes. Não existem testemunhas do jogo de bola praticado pelos mayas do período clássico, mas talvez o jogo praticado pelos astecas e testemunhado pelos espanhois no século XVI possa ser comparável. Perdia pontos o jogador ou equipe que deixasse a bola tocar no solo mais que uma vez antes de a enviar de volta ao meio-campo adversário, ou que deixasse a bola sair do campo, ou ainda que falhasse na tentativa de fazer a pesada bola atravessar os aros laterais. Os aros ficavam a uma altura de aproximadamente seis metros do solo, como se observa nas ruinas de Chichén Itzá. O jogo tinha conotações místicas, pois consta em inúmeras inscrições entalhadas em pedras, vasos e monumentos que representam o jogo como sendo a luta entre os deuses do dia e da noite, ou as batalhas entre deuses do céu e senhores do inframundo. A bola simbolizava o sol, lua ou estrelas, e os aros significavam o nascer e o pôr-do-sol. Estes campos eram considerados portais para o inframundo, e eram construídos em zonas baixas ou aos pés de grandes construções verticais. O Popol Vuh define a importância do jogo de bola maya muito além de um mero desporto e fornece importantes analogias para a interpretação do jogo desde uma perspectiva mitológica. Estava anoitecendo quando embarcamos em uma viagem de ônibus, que durou cerca de 12 horas, de Guatemala City até à cidade de Flores, pertencente ao Departamiento de Petén, onde estão localizadas as remanescentes ruínas de diversas cidades, sendo Yasha e Tikal as mais importantes, distantes uma da outra por cerca de 60 quilômetros. O PARQUE NACIONAL YASHÁ NAKUM NARANJO Estava amanhecendo quando chegarmos em Flores, que fica em uma pequena ilha, e dela seguimos imediatamente com uma van até o vilarejo de El Remate, opção que tomamos para ficarmos mais perto das ruínas de Yasha e Tikal. Contornando a Lagoa de Yasha - Foto do Autor Nos hospedamos num hostel muito simples, com quartos de madeira e sem banhos privativos. Tão logo chegamos, ainda pela manhã, alugamos cavalos e com eles subimos as encostas de antigos caminhos mayas que percorrem a mata e unem antigos pueblos, contornando a Laguna Yasha. Percorrendo antiga trilha maya a cavalo - Foto do autor Antes de clarear o dia seguinte, embarcamos em uma van com mais alguns turistas e seguimos por uma estrada de chão batido por cerca de 30 km, até alcançarmos o Parque Nacional Yasha Nakum Naranjo. Trata-se de um refúgio tombado pela UNESCO em virtude da existência das ruínas de quatro antigas cidades mayas: Yasha, Topoxte, Nakum e Naranjo, que se harmonizam com interessante biodiversidade a extraordinária beleza paisagística enriquecida pelas lagoas de Yasha, Sacnab, Juleque, Lacajá e Champosté e mais os rios Halmul, Ixtinto e Yasha, conjunto hídrico que dá sustentação às rotas de migração de diversas espécies de pássaros. Juntos formam o maior complexo lacustre de toda a biosfera maya. Além destas reservas hídricas naturais, os mayas também construíram canais que abasteciam um sistema de cisternas para consumo dos centros urbanos. Pela exiguidade de nosso tempo, optamos por visitar apenas Yashá, o sítio mais importante deste Parque. Suas ruínas possuem cerca de três quilômetros de ruas e vias que ligam mais de 350 edifícios de diversas funções, estando a maioria ainda tomada pela mata. Também é visível um campo para jogo de bola, um observatório astronômico e um complexo de ruas calçadas que conferiam à cidade uma alta organização urbana. Estendida até à lagoa do mesmo nome, suas vias ainda permanecem revestidas por pedras calcárias que são abundantes na região, unidas com a argamassa de areia com látex, como já narrado. Embora ainda não esteja totalmente resgatado seu conjunto arquitetônico, Yasha é uma doce mistura de arqueologia com lindas paisagens e turismo ecológico, prática facilitada pelo fato de que ao seu lado existe um camping onde se pode acampar por determinado tempo e condições. Foto do autor Traduzindo, o nome Yashá significa “Agua Verde”. Foi descoberta em 1904 por Teobert Maler e antes de ser tombado pela UNESCO, foi alvo de constantes saques que consumiram valiosos objetos e artefatos. Tratava-se de uma sede que era mantida para ser utilizada nas constantes cerimonias religiosas. Depois de descoberto, o sítio foi explorado arqueologicamente e transformado em Parque Nacional, tutelado como Patrimônio da Humanidade. Do alto de seu maior templo avistam-se lindas paisagens da densa floresta que contorna a Lagoa de Yasha, além da cidade de Topoxté na margem oposta da lagoa. Muitas pirâmides ainda soterradas são acessíveis por escadarias improvisadas - Foto Jorge Laranjeira Abandonada pelo mayas após 900 d.C, ao longo dos muitos séculos que se passaram, a mata tomou conta das centenas de edificações, templos, palácios, pirâmides, estradas e canais que existiam. Tivemos a oportunidade de circular pelo entorno e subir pelas íngremes e longas escadarias ao alto das pirâmides e templos, caminhando por cerca de três quilômetros sobre vias recuperadas, mas que ainda mantinham a pavimentação milenar original, feita com areia calcária e seivas extraídas das árvores. Principal conjunto de templos de Yasha - Foto Inguat Foto do autor Durante o caminho que trilhamos, pudemos constatar no alto das frondosas árvores, a presença de dezenas de símios, que emitiam fortes roncos denunciando nossa intromissão em seus domínios, no que se assemelham em muito com os nossos conhecidos alouatas, os macacos que popularmente conhecemos como bugios. O maior monumento de Yasha é a Pirâmide dos Sacrifícios, com escadarias voltadas para os quatro pontos cardeais, que simbolizam as quatro esquinas do mundo. Na parte superior se encontra um pequeno santuário, com portas nas quatro fachadas, que dão acesso ao interior da pirâmide, mas que não é permitido o acesso aos visitantes. O lado norte está alinhado com o campo para jogo de bola, por onde o líder da equipe perdedora do jogo subia para ser sacrificado no lado sul da pirâmide, devido a que esta direção se relacionava com a morte e o inframundo da religião maya. TIKAL – A GRANDE CAPITAL MAYA No dia seguinte, antes de amanhecer, uma van nos buscou para visitarmos o Parque Nacional Tikal. Criado em 1955, em 1979 todo seu território foi declarado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, por sua espetacular riqueza cultural e natural, com vastas variedades de fauna e flora. Ocupa uma área de 576 km². Dentro do parque existem as ruínas de três antigas cidades mayas: Uaxactun, Zotz e Tikal, a maior e mais importante. Maquete da Acrópolis Central de Tikal - Museo Nacional de Arqueologia Foto do autor Segundo publicação panfletária do Inguat - Instituto Guatelmateco de Turismo, as evidências de construção de Tikal remontam aos anos de 800 a.C., período da história maya que se identifica como Pré-Clássico e as últimas construções foram feitas no período do Clássico-Tardio, aproximadamente nos anos 900 d.C.. Ao todo são séculos de construções ininterruptas, que deram um alto grau de desenvolvimento cultural, artístico, arquitetônico, urbanístico, matemático, astronômico, agrícola e comercial, o que tem motivado a admiração e o interesse científico mundial. Apenas na área central de Tikal, suas edificações foram divididas em três grupos: Acrópolis do Norte, Acrópolis Central e Acrópolis do Sul. No centro do conjunto arquitetônico de Tikal se encontra a Grande Praça, formada por um quadrilátero de altares erguidos e esculpidos e monumentos que contém a sequência dinástica dos governos de Tikal. Foto do autor Ao norte está a Acrópolis do Norte, , formada por diversos mausoléus das famílias governantes. Ao sul estão conjuntos residenciais da nobreza e os prédios administrativos. Já o lado leste está ocupado pelo templo do Grande Jaguar com 45 metros de altura, onde foi encontrado em seu interior a tumba com os restos mortais do rei Señor Ah Cacao. Templo do Grande Jaguar, em Tikal - Foto do autor A oeste se situa o Templo das Máscaras, com 38 metros de altura. Já o Templo do Grande Sacerdote possui 60 metros de altura, enquanto o Templo da Serpente Bicéfala possui 65 metros de altura, sendo o mais alto de Tikal, onde tivemos oportunidade de subir ao seu alto através de uma escada de madeira instalada no lado ainda não restaurado e que continua coberto por densa vegetação. Tikal - Foto Klikriver A cerca de 300 metros, está a Grande Pirâmide, que possui 35 metros de altura, erguida em conformidade a um complexo de observação e comemoração astronômica. Tikal fotografada do espaço pelo LiDAR recentemente revelou estruturas arquitetônicas até então desconhecidas e encobertas pela mata. Foto Washington Post Possui ainda a Praça dos Sete Templos, formada por uma série de edifícios cerimoniais e entre eles um campo de jogo de bola, que contem em seu lado sul uma pirâmide cerimonial que, segundo nos informaram, era apenas a fundação de outro edifícios que estava sendo construído no Clássico Tardio. Em alguns monumentos que subimos, vimos portais que davam acesso ao interior, mas estavam fechados, impedindo a visitação interna. CONHECENDO A “LAGUNA DE ATITLAN” E SEUS VULCÕES Depois de nossa visita à Tikal, retornamos à cidade/ilha de Flores e ao anoitecer, embarcamos para vencer os cerca de 500 quilômetros de volta para Guatemala City, onde chegamos no amanhecer e dedicamos o dia para conhecer o cotidiano da população guatelmateca mais humilde. Com taxis e “toc-tocs” conhecemos os bairros mais populosos, mas nos detivemos maior tempo junto ao enorme e popular Mercado Público, que nos oportunizou conhecer a tipicidade do artesanato, da indumentária popular, os condimentos, ervas terapêuticas, infusões e uma infindável lista de ervas medicinais e também para prática de rituais místicos, além dos diversos tipos de frutas, verduras e tubérculos, muitos dos quais por nós desconhecidos. Para conhecermos o Lago Atitlan, necessitamos viajar à cidade de Panajachel, para onde nos dirigimos embarcando num “chicken bus”, aqueles ônibus escolares antigos e bicudos, bem desconfortáveis e que tem as passagens mais baratas, motivo pelo qual são os mais utilizados pela população, fato que nos fez optar por este meio para podermos testemunhar e conviver por algumas horas uma aventura incrível. Explico: a expressão inglesa “chicken bus”, que significa “ônibus de galinhas”, dá exato sentido, pois que além do transporte humano, também é utilizado para levarem animais domésticos para serem vendidos nas cidades. Um "chicken bus" e um "toc-toc", típicos meios de transportes nas cidades ribeirinhas do Lago Atitlan- Foto Jorge Laranjeira Foi assim que vencemos os cerca de 150 quilômetros, com três trocas de ônibus. A cada troca era maior o desconforto, pois ia aumentando a lotação, que não recusava nenhum tipo de gente, de mercadoria, objetos ou animais que as pessoas carregavam. Lotado desde sua partida, logo nas primeiras paradas os novos passageiros sentavam-se no corredor e até nos joelhos dos demais passageiros. A medida que andava e colhia novos passageiros, ficavam espremidos, de pé, com sacos de alimentos e animais domésticos. Em cada parada, o auxiliar do motorista descia e jogava as malas, sacolas e sacos dos passageiros que iam embarcar para o teto exterior do ônibus, e quando o motorista arrancava, ele subia e permanecia de pé acomodando as malas e pacotes que havia jogado, isso enquanto o ônibus estava em movimento, num verdadeiro malabarismo equilibrista. Repentinamente, com o veículo andando com bastante velocidade pelas sinuosas estradas, de cima do ônibus, inesperadamente, o auxiliar dava um salto mortal e entrava pela porta, fato que presenciamos não apenas em nosso “chicken bus”, como também nos que estavam andando na nossa frente. Lago de Atitlan e seus vulcões - Foto TripAdvisor O Lago Atitlán está situado nas terras altas da Guatemala, no Departamento de Sololá. Apesar de ser considerado o mais profundo dos lagos da América Central, o seu fundo não foi ainda completamente estudado e estima-se que a sua profundidade seja de até 400 metros, com uma área alagada de 130 quilômetros quadrados, rodeado por altos cerros e por três vulcões: o Atitlán, o San Pedro e o Toliman, todos sem nenhuma atividade vulcânica. Foto Inguat O Lago teve origem vulcânica, cuja erupção ocorrida há cerca de 84 mil anos, formou uma enorme caldeira geológica. É famoso por ser considerado um dos mais belos lagos do mundo. Em sua bacia lacustre existem extensas plantações de café e uma variedade de culturas agrícolas, sobretudo milho. O lago é muito piscoso, com rica fauna aquática, que se constitui numa fonte de alimento significativa para as populações ribeirinhas. Trata-se de um lugar imperdível de se conhecer. Para chegar à Panajachel, nosso destino, e no Lago que fica nas faldas de uma cadeia de montanhas, fomos ziguezagueando cordilheira abaixo, desfrutando de panoramas lindíssimos, pois além da lagoa, podemos avistar a imponência dos três vulcões que a circundam. Trilhas pelas montanhas permitem aos visitante acessarem "miradores" do Lago de Atitlan - Foto do autor A cidade de Panajachel é bem pequena, mas devo confessar que nunca havia visto uma cidade com mais turistas do que o número de sua população. E turistas predominantemente norte-americanos, que lotavam os hotéis, restaurantes, lojas e barracas de artesanato que se encordoam nas calçadas de suas poucas ruas. No pé das montanhas e dos vulcões que margeiam o Lago, existem pequenas e antigas cidades mayas, sendo as mais importantes Santa Catalina; San Lucas de Toliman; San Antonio; San Marcos la Laguna; Santa Clara; Santa Cruz la Laguna; San Pedro la Laguna e Santiago Atitlán, esta antiga cidade maya, que assim a denominaram os espanhóis, após ocupa-la. Estas cidades podem ser acessadas em um tour de um ou mais dias por pequenos barcos, que partem do pequeno porto de Panajachel pela manhã e voltam ao final da tarde. O barco que nos levou fazer um tour pelo Lago, nos desembarcou em portos de quatro cidades, dando-nos um tempo limitado para conhecer cada uma das cidades, fazer refeições ou lanches e visitar seus monumentos, sua cultura e atrativos turísticos. Assim que iniciávamos caminhar a partir dos portos pelas coloridas ruelas, éramos abordados por uma horda de vendedoras, que com suas coloridas roupas típicas, nos ofereciam variado artesanato característico, desde vestimentas tradicionais, adornos, flautas, máscaras, bijouterias de jade e esculturas de todos os tipos esculpidas em madeira ou em larva vulcânica. Ofereciam seus produtos insistentemente, dando o preço inicial e diante da nossa negativa, reduziam os preços em até cinquenta por cento do valor inicialmente pedido. Podemos notar uma expressiva presença das artes plásticas, principalmente com coloridas pinturas que enaltecem os valores de sua cultura. Santiago de La Laguna Santiago fica em uma baía do Lago Atitlan entre os vulcões San Pedro, com 2.846 metros de altitude, a oeste da cidade, enquanto o vulcão Toliman, que sobre a 3.144 metros, fica a sudeste da cidade, e o vulcão Atitlán, com um cume de 3.516 metros de altura, está a sudeste. A maioria absoluta dos moradores são descendentes dos mayas. Antes dos espanhóis chegarem, Santiago era a capital do povo Tz'utujil e seu nome era Chuitinamit. Tivemos ainda a oportunidade de conhecer o Museu de Tecelagem Cojolya, fundado e administrado pela Associação Cojolya de Mulheres Mayas, que mostra a história, as tradições e o processo de coloração, tecelagem e a evolução do traje tradicional dos tz’utujil. Já em San Marcos La Laguna fomos conhecer La Colmena Del Lago, uma associação de pequenos produtores de mel produzidos a partir de quatro tipos diferente de abelhas, onde se destacam as abelhas nativas sem ferrões e que também servem para produzir vinho de mel, conhecido como aguamiel. Típico maia, sentado sobre o milho, protegido pelo quetzal, com os vulcões e a Lagoa de Atitlan ao fundo. Temas mayas que orgulham e inspiram as artes plásticas. Pintura de autor desconhecido. Foto Jorge Laranjeira Em San Pedro La Laguna conhecemos a produção de móveis artesanais, feitos com madeiras típicas, que dão forma única ao mobiliário. Alí nos ofereceram diversas alternativas para práticas de esportes, desde pescarias com pescadores profissionais, cavalgadas entre cafezais e até o cume dos vulcões, caminhadas pelas matas, mountain bike, kayaking, traking, tirolesas e mergulhos, dentre outros. Para os que desejam subir aos pontos mais elevados destas cidades para desfrutar de belos panoramas, mas que não desejavam caminhar pelas suas coloridas ruas, havia a alternativa de alugar um dos vários “toc-tocs” que existem por todos os cantos destas cidades, que são adaptadas para levarem até três ou as vezes até quatro passageiros.O preço da viagem é padrão, 10 quetzales, a moeda oficial da Guatemala, equivalentes a pouco mais de cinco reais. Mas fomos aconselhados a sempre perguntar o preço antes de entrar.Com eles subimos por estradas estreitas e tortuosas até locais onde construíram belvederes, que conhecem como miradores, a uma altura de aproximadamente mil metros, de onde podemos descortinar panoramas incríveis com vista para os vulcões, tendo a seus pés as bucólicas cidades banhadas pelas àguas límpidas e azuis do Lago Atitlán. Além de conhecer um pouco da história, dos costumes, do diversificado artesanato e a colorida indumentária, tivemos oportunidade de provar os variados pratos típicos da região, que são relativamente baratos, já que uma refeição normal, com pratos a base de abacate, pasta de feião, ovos, banana, pescados, carnes de galinha, porco ou gado para quatro pessoas custou-nos aproximadamente 60 reais, além de muito saudáveis, já que as verduras e tudo o mais é produzido com a fertilidade das cinzas vulcânicas. Antigo Convento e Igreja das Irmãs Capuchinhas - Foto Inguat O forte da economia destas cidades é o turismo, cujas agências oferecem caminhadas pelas montanhas, cavalgadas, ecoturismo, massagens cerimoniais, passeios de barco, mergulhos no Lago, passeios rurais e turismo de aventura, estes muito praticados, tudo com suporte profissional que pode ser contratado nas diversas agências que existem nas cidades lagunares. Abundam as pousadas simples que se escondem em locais inimagináveis e que parecem ser muito asseadas. Disputando a preferência com a moeda oficial da Guatemala, o dólar americano é aceito para pagamento em lojas, restaurantes, hotéis e agências de turismo, motivo pelo qual abundam as pequenas casas de câmbio, mas que não trocam e desconhecem completamente a nossa moeda, o real. Pudemos observar que são povoados especiais para práticas de atividades místicas, esotéricas, relaxar e entrar em contato com a natureza, com muitas casas especializadas nestas práticas. Algumas vezes fomos abordados oferecendo-nos massagens com produtos vulcânicos e óleos vegetais. Já San Pedro é conhecida por suas festas e raves. É o pueblo mais animado para festar. Não deu tempo para presenciarmos uma de suas festas religiosas, que segundo nos informaram, é imperdível pela alegria que emana de sua gente. ANTÍGUA - A ANTIGA CAPITAL DA GUATEMALA Como último local a ser visitado, fomos conhecer Antígua, antiga capital da Guatemala. De 2500 a. C. até 900 d.C., os mayas viveram uma era florescente, entrando depois em declínio por fatores ainda não bem esclarecidos, fato que ajudou significativamente sua subjugação pelo conquistador espanhol Pedro de Alvarado, lugar-tenente de Hernan Cortés que havia conquistado os astecas, no México. Don Pedro de Alvarado - Conquistador dos mayas e primeiro governante espanhol da Guatemala. Painel existente no Museo de Santiago de los Caballeros - Antigua - Foto do autor D. Pedro de Alvarado, nasceu em Badajós, na Espanha, em 1485. Em 1510 viajou para a América, atuando como lugar-tenente de Hernan Cortés na conquista do México, destacando-se na luta contra os astecas. Quatro anos após, em 6 de dezembro de 1523, saíu do México com uma expedição para a conquista dos povos que habitavam a Guatemala e Honduras. No território maya, Alvarado encontrou forte resistência, embora já decadente sua civilização e estrutura militar. Com muitos poucos espanhóis, colocou em prática uma política de alianças com povos que haviam sido inimigos dos mayas, de quem recebeu enormes contingentes de soldados para auxiliá-lo. Depois de vencer os inimigos comuns, subjugava os aliados e suas cidades. Fez uso de cavalos, de cães de guerra e de armas de fogo, até então desconhecidos pelos ameríndios, que se defendiam apenas com lanças e flechas. Para não deixar dúvidas de sua determinação conquistadora, além da superioridade de seu armamento, Pedro Alvarado usou de ações bárbaras e cruéis, que ele mesmo justificava como sendo necessárias para “atemorizar la tierra” (LOWELL, George W. – Pedro de Alvarado y La Conquista de Guatemala nel 1521-1542 – F&G Editores – Guatemala – 2016) Em 1523, tendo conquistado dos mayas a cidade de Iximché, que era a capital do reino de Cakchiquel, através de um segundo casamento com uma princesa maya, Pedro de Alvarado logo a transformou em sede do governo das demais cidades mayas que havia conquistado e que se encontravam ao longo da região oeste da América Central, desde o México, todo centro-oeste da Guatemala e o norte de El Salvador. Nomeado pelo Rei da Espanha como Governador e Capitão Geral da Guatemala, no ano seguinte, em 25 de julho de 1524, trasladou a cidade para o Vale de Almalonga. Em 1541, logo após Alvarado ter falecido e três dias após sua esposa ter assumido o cargo de Governadora Geral da Guatemala, um terremoto e a erupção do vulcão Àgua inundou e soterrou a cidade, matando a efêmera governante. Novamente a capital dos domínios espanhóis na América Central foi transferida, desta vez para o Vale de Panchoy, cuja cidade, por ter sido fundada em 25 de julho de 1524, o dia do Santiago, passou a ser chamada Cidade dos Cavaleiros de Santiago da Guatemala. Panorâmica de Antígua, a partir do Morro da Cruz. Ao fundo o vulcão Água. Foto Inguat Bem mais tarde, em 1773, novos terremotos destruíram grande parte da cidade, o que levou à terceira mudança de localização da capital guatelmateca. A Coroa espanhola ordenou, em 1776, a remoção da capital para um local mais seguro, no Vale do Santuário, onde hoje está a Cidade da Guatemala, a capital do pais da Guatemala. Esta nova cidade foi batizada de Nova Guatemala da Assunção. O rei da Espanha ordenou a evaquação e o abandono da cidade de Santiago de los Caballeros, mas embora muito danificada, nem todos cumpriram a ordem do rei e continuaram ali residindo, passando a ser conhecida como a Antígua Guatemala, hoje apenas Antígua. Em seu período como capital, dando azo à política espanhola calcada no expancionismo do catolicismo para “converter” os povos pagãos que haviam sido conquistados, Antígua recebeu muitas instalações de odens religiosas, como a Ordem Dominicana, a Ordem dos Jesuitas Companhia de Jesus, das Irmãs Clarissas, da Ordem Mercedária, da Ordem dos Agostinianos Recoletos, além de outras. Todas estas instituições religiosas fizeram Antigua como sua sede na América Central e ali construíram enormes conventos e suntuosas igrejas, que foram danificadas pelos terremotos de 1776, mas algumas reconstruídas, mesmo que parcialmente. Nestes templos, alguns pertencentes a órgãos governamentais, foram instaladas a atual administração pública, bibliotecas e museus. Em outros, hoje pertencentes à iniciativa privada, foram instalados hotéis e restaurantes que apesar de luxuosos e caros, mantiveram a arquitetura colonial espanhola e seu ambiente quinhentista, o que atrai considerável número de turistas de elevado poder aquisitivo. Vista aérea do Vulcão Água. Foto Inguat Desde 1979 toda Antigua está tombada pela Unesco. Também conhecida como Cidade das Nostálgias, muito asseada, possui todas as suas ruas calçadas com pedras irregulares, que se harmonizam e alinham com preservadas e incontáveis edificações e estruturas colonias espanholas, que hoje abrigam hotéis, hospedarias, restaurantes, cafés, bibliotecas, museos, todos com modernas instalações internas, sem perderem sua originalidade arquitetônica. Ruinas da antiga sede da Companhia de Jesus e Ordem dos Jesuítas, semi-destruída por abalos sísmicos, que aguarda ser restaurada. Foto do autor Tivemos oportunidade de conhecer o Museu de Santiago de los Caballeros, onde estão exposto as antigas armas utilizadas pelos espanhóis durante o Século XVI. Foi construído para sediar o Real Palácio da Capitania Geral do Reino da Guatemala e chegou a ser utilizado como prision del pueblo, sendo que na atualidade o prédio é administrado pelo Ministério de Cultura e é considerado o centro cultural da cidade de Antígua. Palacio del Ayuntamiento, atual sede da administração da cidade de Antígua. No seu piso inferior encontra-se o Museo del Libro Antiguo e o Museo de las Armas. Foto Ivete Scope Em visita ao Museu do Livro Antigo, lamentavelmente, não nos foi permitido ter acesso às obras literárias do período, mas apenas visualiza-los através de redomas de vidros. Visitamos ainda o Museu de Arte Colonial, onde pudemos admirar as imensas pinturas que emolduram suas paredes, quadros e esculturas dos Séculos XVI e XVII; a Catedral San José, onde além das esculturas sacras sobre ricos altares, se encontram os restos mortais do conquistador Don Pedro de Alvarado; o Arco e a Igreja de Santa Catalina, anexo a antigo convento de freiras eclusas; o Museo do Tecido Antigo, onde nos foi feita uma demonstração de como os mayas da antiguidade teciam e, finalmente, o Museu do Jade, nde estão expostas centenas de obras trabalhadas com os mais diversos tipos de jade, desde tons de verde até o jade negro, o mais duro e resistente. Arco de Santa Catalina em dia de festa - Foto Expedia O antigo prédio onde estava instalado o Colégio da Companhia de Jesus, foi construído por volta de 1600 a após a expulsão dos Jesuítas, em 1767, ficou desabitado. Terremotos danificram sua estrutura, mas foi recuperado e utilizado por uma fabrica de texteis. Em 1922 a Espanha patrocinou sua restauração e desde 1994 ali funcina o Centro Iberoamericano de Formação para o Desenvolvimento, onde são desenvolvidos e exibidos espetáculos de artes cênicas, mostras de arte, lançamento de filmes e outras atividdes culturais que realimentam o movimento socio-cultural da Guatemala. Antigas construções atingidas por terremotos à séculos ainda aguardam serem restauradas. Foto Jorge Laranjeira Área interna da Casa Santo Domingo - Foto Booking Na Casa Santo Domingo, que era a sede da Ordem Dominacana e onde funcionava um convento com capacidade para uma centena de noviços, suas edificações ocupam um enorme quarteirão, mas que ainda não estão completamente restauradas. Atualmente está em atividade um hotel cinco estrelas, com spa, denominado Casa Santo Domingo. Em parte de suas instalações estão abertos a visitação pública uma fonte de água com piscina térmica natural, salões de exposições, salas de convenções e cinco museus, sendo: Museu de Arte Moderna, Museu de Arte Precolombiana, Museu dos Talheres, Museu de Artes Populares de Sacatepéquez e o Museu de Arqueologia, localizado na parte subterrânea onde está uma cripta com exposição de esqueletos de antigos freis pertencentes à Ordem, acondicionados em redomas de vidro. Restos mortais de um frei dominicano, resgatados na cripta subterrânea do antigo Convento, hoje Hotel San Domingos. Foto Ivete Scopel Restos mortais de um nobre espanhol sepultado na cripta subterrânea do Convento Dominicano. Sepultamentos eram sempre feitos com a cabeça voltad para o leste. Foto Ivete Scopel Antígua hoje vive e respira história e cultura. Vocacionou-se para fazer destas atividades a base de sua sustentabilidade econômica. Com uma população de 50 mil habitantes, o turismo de alto nível é sua principal economia, pois é a representação da riqueza histórica e cultural, com destaque para a arquitetônica, que fundiu a arte hispânica com a arte nativa, dando ao conjunto um ambiente de religiosidade, misticismo, de preservação e de tradição. COLAPSO E DECLÍNIO DOS MAYAS A causa do colapso e abandono das cidades que capitaneavam a civilização maya, e que estavam localizadas nas chamadas “terras baixas” da Península do Yucatã, continua a ser o foco de intenso debate acadêmico. A expressão “Colapso Maya” marcou o encerramento do Período Clássico e ainda se constitui em um dos maiores mistérios em arqueologia, devido ao alto desenvolvimento da sua cultura antes do colapso e à rapidez com que o mesmo ocorreu. Arqueologicamente, este declínio que teria ocorrido durante os séculos VIII e IX é indicado pela cessação das inscrições monumentais e pela redução das construções arquitetônicas em grande escala. Foram identificadas cerca de oitenta diferentes teorias e variações que tentam explicar o colapso maya. Não existe uma teoria universalmente aceita, apontando-se o possível enfraquecimento devido a lutas internas, guerras e rebeliões, bem como o desmatamento abusivo pela agricultura sedentária e intensiva, além de outros recursos naturais que teriam debilitado o ecossistema e provocado longas secas e escassez de alimentos. Os pesquisadores dizem que uma inversão climática e tendência de secagem entre 660 e 1000 d.C. provocaram competição política e aumento das guerras, instabilidade sociopolítica global e, finalmente, colapso político - conhecido como o Colapso Maya Cássico. Quando no primeiro quartel de 1500 os espanhóis chegaram para conquistarem, ainda havia uma grande população maya, embora decadente e que há alguns séculos já haviam abandonado suas principais cidades e viviam em permanentes conflitos e guerras internas entre si ou com povos que no passado haviam subjugado. Também sua estrutura administrativa havia se deteriorado e Don Pedro de Alvarado, o conquistador da Guatemala soube tirar proveito destes fatores, aliando-se aos índios “kaqchikeles” e aos “tz’utujiles”, outrora dominados pelos mayas, mas agora seus inimigos, para tomar as cidades remanescentes e subjugar suas populações, a quem impôs suas atrocidades dando azo ao seu lema de “atemorizar la tierra”. Para o escritor esoterista Francisco Guitieres, (Los Mayas – Ed CHFOP- Boletin OVNIS Tomo I, nº 6 – México), é ilógico raciocinar que um povo que alcançou milhões de habitantes abandonasse repentinamente as cidades de pedras que haviam construído para perdurarem eternamente. E prossegue afirmando que as classes dominantes sumiram das cidades, sem deixar registros e vestígios para que possam ser investigados. Mas ficou a população campesina, que desprotegida, sem conhecimento para garantir sua sobrevivência, dispersou-se, migrando para outras regiões, onde foram facilmente dominados, inicialmente pelos toltecas e depois pelos espanhóis. Mas o que descendem do povo mais culto e que atingiu o maior nível de desenvolvimento na América pre-Colombiana, e que outrora foram grandes navegadores, arquitetos, cientistas, astrônomos, matemáticos, agricultores e construtores, têm motivos suficientes para manterem a auto estima e orgulho por descenderem do povo que ao seu tempo foi expoente na história da humanidade, embora ainda busquem nas ciências modernas justificativas para compreender como e porque foram vítimas de um processo que fez a floresta tragar suas cidades e decretar o apocalipse de sua cultura e história. *ADILCIO CADORIN é advogado e membro do IHGSC - Instituto Historico e Geográfico de Santa Catarina.

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