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"Foi em bares, boates, cabarés e pelas ruas do submundo de Tóquio que, nos anos 60, Hijikata dava início a essa nova forma de expressão, considerada marginal, chamada de Ankoku Butoh - dança das trevas.

Nascido na ilha de Hokkaido em 1906, Ohno entrou para o estúdio de dança comandado por Baku Ishii em 1933. Depois de uma pausa de nove anos nas atividades durante a Segunda Guerra Mundial, em que serviu na China e na Nova Guiné e foi prisioneiro de guerra, Ohno fez sua primeira apresentação na capital japonesa em 1949, aos 43 anos.

O Butô recupera a vitalidade e a força de um corpo domesticado pelas atividades cotidianas e esmagado pelas regras estabelecidas. O desenho de cada gesto é simbólico e estimula idéias, associações e emoções, tramando uma visibilidade. O corpo é o veículo de expressão dos elementos vitais: terra, água, fogo e ar.

Numa época atormentada entre o progresso e a tradição de antes da invasão ocidental, o butô questiona o corpo como um instrumento e o afirma como um processo, como condição da existência de um corpo em crise, que tenta dissipar os sedimentos acumulados. Sua matéria prima é a imperfeição e a precariedade humanas.

"A dança butô revela um corpo que pode “ver com a pele, respirar com o ventre”. Nesse sentido, o interior do corpo permanece vedado ao órgão da visão, aberto por uma faculdade do “sentir”, de um território incomum, de estados singulares de percepção."

"O corpo na dança butô é ambíguo e revela o obscuro e o luminoso na nossa natureza. (...) É um corpo em processo, que admite a sobreposição da vida e da morte, do nascimento e do envelhecimento, admite uma contingência caótica, a possibilidade de criação incessante, um corpo sempre aberto, inacabado."

ANKOKU BUTOH (BUTÔ): A DANÇA DAS TREVAS - O butô nasceu no ambiente da vanguarda japonesa, em fins da década de 1950, num contexto sociocultural marcado pela 'invasão' ocidental. Suas apresentações tocam temas como o nascimento, a morte, o inconsciente, a sexualidade, o grotesco.

Kazuo Ohno (1906 - 2010) - Minimalista, Ohno sempre se apresentava vestido de mulher. Entre seus trabalhos mais famosos estão os espetáculos "Dead Sea", "Ka Cho Fu Getsu", "My Mother" e "Water Lilies".

O ideograma “bu” evoca as danças xamânicas, movimentos vibratórios dos corpos dos xamãs em transe, para provocar chuva. O caractere “toh” simboliza o fato de pisar a terra, em chamar para si as forças dos espíritos da terra ou ainda a vontade de sacudir, acordar ou abalar o mundo.